REESTRUTURAÇÃO DO MINISTÉRIO DO TRABALHO E NOVA MINISTRA DA AGRICULTURA: COMO AS NOVAS POLÍTICAS DO GOVERNO RECÉM-ELEITO, PODEM REFLETIR NO SINDICATO

Recentemente, foi anunciado quem seria a nova ministra da Agricultura, sob o governo do recém-eleito presidente Jair Bolsonaro. Tereza Cristina foi nomeada, para a felicidade da bancada ruralista que vê nela um nome forte para o setor, por ela ser presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e grande defensora da chamada “PL do Veneno”. Em suas declarações, ela vem se mostrando bastante otimista com o cargo nomeado, devido Bolsonaro mostrar-se bastante favorável a parlamentares ligados ao setor rural em temas como demarcação de terras indígenas, licenciamento ambiental e regulamentação de agrotóxicos.

Já em relação ao Ministério de Trabalho, Jair declarou recentemente que irá enxugar o Ministério, e que ainda está incerto sobre se ele virará uma secretaria ou se a pasta continuará como está. Essa afirmação foi feita dias depois de sua declaração polêmica sobre a possível extinção do ministério, na qual seria incorporado a algum outro ministério, recebendo assim, reações negativas tanto por parte dos opositores, quanto de seus próprios eleitores.

As duas propostas tomadas, são reflexos de um cenário nada animador para o setor de alimentação e saúde, e no quesito dos direitos trabalhistas, duas frentes na qual o SINDINUTRISP apoia veemente para com sua categoria. Em entrevista com o presidente do Sindicato dos Nutricionistas do Estado de São Paulo, dr. Ernane Silveira Rosas, ele analisa esses pontos no aspecto em como isso atinge os nutricionistas e a população como um todo.


SINDICATO: Qual a posição do Sindicato, em relação a nomeação da nova ministra da Agricultura, Tereza Cristina, do governo recém-eleito, Jair Bolsonaro?

DR. ERNANE: Essa posição que o Bolsonaro está nomeando essa deputada para ser ministra da Agricultura, é um fato extremamente lógico e natural, porque existe um problema chamada interesses financeiros que se sobrepõe ao interesse da saúde da população brasileira. Então assim, há nenhum interesse legal e político, em se ajudar na melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Primeiro que o Blairo Maige já vem como ministro da Agricultura, fazendo trabalho extremamente pró-grandes produtores de alimentos, e esses alimentos não são o que o povo consome, quem consome é gado. Se chegar janeiro, por exemplo, e reduzir com 80% da produção de soja, o brasileiro continuará vivo e satisfeito, se alimentando muito bem. Quem talvez vai precisar são os grandes criadores de gado, e a exportação para os outros países, que também consomem nossa soja. E isso interfere muito pouco na vida do brasileiro e no mercado de trabalho, porque é tudo máquina. Nós temos na verdade, um enriquecimento de empresas multinacionais, que produzem transgênicos, agrotóxicos, e que compram nossa soja, extremamente barata, em detrimento de todo o prejuízo que essa plantação está causando no nosso país. Então a gente tem grandes prejuízos e pouco lucro. Se industrializar a soja (óleo de soja, proteína texturizada de soja, farelo de soja), e exportasse para outros países, ganharia muito mais dinheiro, utilizando muito menos espaço em campo, utilizando muito menos água. O que se ganha é muito pouco, e vai direto para os bolsos de políticos, que são pessoas eleitas pelo povo brasileiro que vota nessas pessoas.

Quando eu afirmo que o nosso país tem um problema muito grave com relação a nacionalismo, a amor à pátria, governos totalmente entreguistas, é porque os povos mais ricos, os europeus e americanos, eles estão muito ávidos por comprar alimentos orgânicos, alimentos sem veneno, feito de acordo com respeito a natureza, na qual o Brasil poderia ser o abastecedor do planeta em alimentos orgânicos. Hoje nós temos uma indústria aqui, no interior de São Paulo, que ela produz açúcar orgânico, e o MST, que é o maior produtor de arroz orgânico na América Latina.

SINDICATO: Com uma futura aprovação da PL do Veneno, o que isso vai afetar diretamente a população?

DR. ERNANE: Eu acho que a gente vai ter que pagar pra ver, porque se ela ainda não está em vigor, a gente não sabe se vai melhorar ou vai piorar. Esta aprovação da PL do Veneno vai aumentar em demasia o uso de veneno no Brasil a fora. Se hoje a porteira está meio aberta, ela vai abrir totalmente, e aí a gente vai ter problemas maiores de contaminação de alimentos e adoecimento de pessoas. Mas isso tudo é em função de escolha da população brasileira. E isso é um fato, e o povo vai pagar.

SINDICATO: Como fica o papel do Sindicato em uma possível extinção ou reestruturação do Ministério do Trabalho?

DR. ERNANE: Se falam em fechar o Ministério do Trabalho. Se o ministério funcionasse bem, ele seria uma ponte maior de ligação entre o mercado de trabalho e os trabalhadores, ele faria essa ponte entre as empresas e os sindicatos, e onde haveria uma procura da harmonização. Quando fecha as portas do Ministério do Trabalho, o trabalhador fica totalmente desamparado, e se ele ficar desamparado ele vai ter duas opções: ou ele se submete, abaixa a cabeça, ou ele se revolta e parte para briga, e as duas coisas são ruins, porque nem a submissão e nem a agressão constroem nada. Tem que ser no diálogo.

SINDICATO: O Brasil se propôs a cumprir com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU, até 2030. Conforme o país está seguindo, você acredita que ele irá atingir as metas dessas ODS?

DR. ERNANE: Eu acho que o Brasil para não ficar com uma imagem muito suja lá fora, ele faz adesão a esses objetivos, mas não cumpre no momento de implantação, que envolve conscientização, participação e principalmente, engajamento da população, da criança da escola, do ensino fundamental até os universitários, as empresas e tudo mais. Para se conseguir atingir as ODS, que é uma coisa que a ONU está preconizando para tentar salvar o planeta Terra, ela fala para o mundo inteiro, do país mais rico até o país mais pobre, para todo mundo estar engajado com o mesmo objetivo. Temos muitos interesses, de muitas empresas, de muitos governos, que não aceitam as ODS, porque isso vai mexer no seu poder, vai mexer nas coisas que hoje eles detêm. Mas quem tem que definir o que quer ou o que não quer, não é o governo, é a população. Agora, eu vejo muita falta de conscientização política na maioria da população brasileira. O mesmo problema que a gente vê aqui no Brasil, que é um país de Terceiro Mundo, e gente vê também na Europa, que é Primeiro Mundo. A população brasileira não aprendeu a raciocinar, e um dos motivos é a implantação, no governo FHC, do programa na qual os alunos das escolas de ensino fundamental e médio, passavam de ano sem saberem ler, entenderem ou raciocinarem. Uma população desinformada que não aprendeu a falar e questionar, e procurar entender o porquê das coisas.



Fonte da foto: Revista Globo Rural

Fontes:

UOL

REVISTA GLOBO RURAL

ESTADÃO

FOLHA DE SÃO PAULO






       
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